O improviso é obrigatório no Teatro Cristão?

Muita gente tem que mandando sugestões nos comentários dos vídeos para eu falar sobre improviso. Por isso, resolvi começar já com a voadora de dois pés: Afinal, o improviso é obrigatório no Teatro Cristão? Precisa mesmo de improviso? Dá pra fazer peça sem improviso? O improviso só serve para peças de humor, ou pode ser usado no drama? Quem dita essas regras? Acompanhe o post a seguir, espero que possa te dar uma luz.

O IMPROVISO É OBRIGATÓRIO?

Não, obrigado! O post se encerra por aqui! Brincadeira! Ei! Volta aqui! Bem, vamos lá! O improviso não é algo que se possa dizer que é obrigatório ter em peças de teatro – ou em séries, filmes, novelas e qualquer outra mídia-, mas não podemos também descartar e dizer que não serve. O improviso pode e deve ser usado quando necessitado. Como o próprio nome já diz, é algo improvisado, você não estará esperando que aquilo aconteça.

Seja no Teatro Evangélico, TV ou cinema, não são todos os atores que dominam a arte de um improviso bem feito. Muitos podem improvisar, mas nem todo improviso será útil ou aprovado pelo diretor. É preciso saber bem o que está fazendo para não prejudicar a cena, os outros atores ou até mesmo todo o espetáculo.

PRECISA MESMO DO IMPROVISO?

Depende. Eu mesmo sou um diretor que deixo meus atores bem à vontade para criar, sugerir ou improvisar quando acharem necessário. Mas somente nos ensaios. São nos ensaios que os improvisos surgem com mais frequências e adaptações e melhorias são feitas nos espetáculos de Teatro Cristão. O “ao vivo”, o ato da cena, o espetáculo encenado não é lugar para criar nada, não é lugar de improvisar por improvisar. O improviso durante o espetáculo só deve ser feito em último caso, quando não tiver mais outra solução.

Por isso, depende muito. Há casos em que o improviso é quase que inevitável para salvar a cena. Seja um ator em cena que esqueceu a fala e o outro precisa criar um novo diálogo para lembrar como a cena continua. Pode ser um figurino rasgado durante a encenação ou esquecido pela produção e na hora os envolvidos têm que criar algo. Existem casos de luzes queimando, cenário caindo, pessoas atrapalhando… enfim, um infinidade de coisas. Se puder evitar, ótimo; sigam o roteiro que o diretor deixou que vai ser perfeito. Mas precisou do improviso, não trave. Use a criatividade.

O IMPROVISO SÓ SERVE PARA PEÇAS DE HUMOR?

Também não, meu caro jovem ator ou atriz. Como citei acima, existem vários casos onde o improviso se faz necessário para salvar a cena. É claro que o humor é um estilo de espetáculo onde deixa os atores mais à vontade para criar algo durante o espetáculo, o público vai entender e aceitar mais facilmente do que durante uma encenação de drama, o que pode ficar bem estranho.

Mas eu reforço mais uma vez: não fiquem travados! Caso seja necessário, passe por cima do erro e improvise. Use da sua criatividade. Seja no humor, no drama, na ação, não importa. Seja um profissional de alto nível. É disso que estamos precisando no Teatro Cristão brasileiro.

QUEM DITA AS REGRAS DO IMPROVISO?

Não existe uma regra de como improvisar. Salvo quando o espetáculo é inteiramente de improviso (como o Improvável, da Cia Os Barbixas) e o ator é obrigado a surpreender o público durante toda a peça. Eu gosto de deixar os atores livres para criar durante o ensaio, se surgir um improviso que deu muito certo, ele vai pro roteiro original da peça. Mas alguns diretores são mais apegados aos roteiros e rígidos nos ensaios, exigindo para que os atores não fujam do que é pedido no roteiro.

Bom, resumindo para quem faz Teatro Gospel: O improviso não é obrigatório. Não é um vilão, ele poder ser um herói. Mas também não é para ser usado por querer durante o espetáculo. Tudo na boa dose e em boa medida é sempre bem-vindo!

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